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Errar é Humano, Levantar é Divino: A Pedagogia da Queda e o Milagre do Recomeço

  • Foto do escritor: aluzdaescriturasag
    aluzdaescriturasag
  • 14 de mai. de 2025
  • 4 min de leitura

Na jornada da existência, há lições que não se aprendem nos livros, nem nos conselhos mais sábios. Algumas verdades só se gravam no coração quando tropeçamos nelas; quando o chão que julgávamos firme nos escapa sob os pés.



Há momentos na vida em que a estrada que trilhamos parece nos conduzir não à glória, mas ao tropeço. A queda, tantas vezes temida e evitada se impõe como uma realidade inevitável da condição humana. Erramos. E ao errar, confrontamo-nos com nossa vulnerabilidade mais íntima.

Mas, e se o erro não for um atalho para o fracasso, mas uma sala de aula da graça? E se, em vez de nos definirmos por aquilo que fizemos de errado, permitíssemos que Deus nos definisse por aquilo que Ele ainda fará através de nós?


Errar é mais do que uma falha de julgamento; é uma expressão da nossa humanidade. Desde o Éden, o ser humano vive entre o anseio pelo acerto e a realidade do deslize. Paulo, o apóstolo da graça, confessou: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.” (Romanos 7:19). Até mesmo os gigantes da fé enfrentaram seus próprios colapsos interiores.


A psicologia entende o erro como parte fundamental do aprendizado. Quando falhamos, o cérebro entra em estado de atenção ampliada: ele observa, reavalia, reconstrói. As conexões neurais se expandem e novas trilhas de comportamento se formam. Em outras palavras, o erro tem o potencial de nos tornar melhores, se soubermos olhá-lo com humildade e intenção de crescer.


Na fé cristã, isso se chama quebrantamento, não a simples dor de ter falhado, mas sim, a abertura da alma para que Deus transforme o que se partiu. O salmista escreveu: “Coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.” (Salmo 51:17). Há beleza no chão da queda, quando ele se torna o solo fértil para um recomeço com raízes mais profundas.


O erro não é um ponto final, mas uma vírgula na história que Deus está escrevendo em nós. Não fomos feitos para permanecer no chão. A Escritura é um mosaico de recomeços: Moisés errou e matou um homem e mesmo assim liderou o povo de Deus. Davi caiu no adultério e foi restaurado como “homem segundo o coração de Deus”. Pedro negou o Mestre e se tornou uma das colunas da Igreja. Todos eles erraram. Mas todos também se levantaram.


A diferença está em não se entregar ao ciclo da culpa e da autodepreciação. O erro precisa ser confrontado, sim, com arrependimento verdadeiro. Mas também precisa ser superado com fé e resiliência. E isso só é possível quando compreendemos que o amor de Deus é maior que nossos maiores fracassos.


Recomeçar com Deus é diferente de simplesmente seguir em frente, não é tapar os olhos para o passado, mas permitir que Ele o transforme. É entender que, enquanto o mundo grita “fracasso”, Deus sussurra “graça”. Ele nos convida a levantar a cabeça, não com arrogância, mas com esperança. Não com negação da dor, mas com fé na redenção.


"As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos..." (Lamentações 3:22).A cada manhã, Ele nos entrega uma nova chance, não baseada no nosso desempenho, mas no Seu caráter. Ele é o Deus dos começos, dos recomeços e dos mil recomeços se necessário for.


Há dores que nos amadurecem mais do que mil vitórias. Há lágrimas que limpam os olhos da alma para vermos com mais clareza. E há erros que, se entregues a Deus, se tornam trampolins para a nossa missão e para o nosso propósito. Não lute contra sua história, redima-a. Não esconda seus tropeços, aprenda com eles. Porque o Deus que te levanta hoje é o mesmo que usará tua cicatriz amanhã como cura para alguém.


Talvez hoje você esteja olhando para si mesma(o) e dizendo: "Fiz tudo errado". Mas ouça com o coração: não é o fim. O erro pode ter te abalado, mas não desfez o que Deus plantou em você. Ele continua te capacitando, te chamando para continuar. Levanta-te. Anda. Avança. Há um caminho novo diante de ti e Ele mesmo irá contigo. Levanta-te e anda.


Convidamos você, caro leitora a refletir profundamente, conectar-se com suas próprias quedas e descobrir a beleza dos recomeços em Deus. Aqui vai o desafio prático/exercício de reflexão emocional.


Pegue um caderno, diário ou uma folha em branco. Escolha um momento tranquilo do seu dia, onde possa estar a sós com Deus, e siga este roteiro com calma e sinceridade:


1. Nomeie sua queda: Escreva, com coragem e sem julgamentos, um erro que você cometeu e que ainda te machuca. Algo que você tenta esquecer, mas que de vez em quando ressurge como um peso no coração.

2. O que você aprendeu? Debaixo desse erro, o que Deus te ensinou ou ainda está ensinando? Qual foi a lição? Quais foram as transformações internas que nasceram da dor?

3. Como isso pode se tornar benção? Pense em como essa experiência pode ajudar alguém. Escreva: "Esse erro pode se tornar um testemunho vivo quando eu...". Complete a frase com sinceridade.

4. Entregue a Deus: Escreva uma oração curta, como uma carta íntima a Deus, entregando esse erro nas mãos dEle. Declare que você crê na restauração. Você pode começar assim: “Senhor, eu errei, mas creio que o Senhor é maior que meu erro. Por isso, entrego a Ti este capítulo da minha vida...”

5. Declare em voz alta: Depois que terminar a reflexão, leia este versículo em voz alta, como uma declaração profética sobre sua vida: “E eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.” (Mateus 28:20)


Repita este exercício sempre que precisar lembrar que suas falhas não anulam o amor de Deus, mas servem de ponte para a Sua graça.


 
 
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